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Aluguel

Calendário de temporada em Florianópolis: quando sobe e desce a diária do aluguel de curta estadia

Réveillon com ocupação hoteleira de 98%–100%, janeiro com 67% de ocupação em aluguéis de curta estadia e agosto com apenas 27%: o mapa mês a mês da demanda turística na ilha.

9 set. 2026
Calendário de temporada em Florianópolis: quando sobe e desce a diária do aluguel de curta estadia

O quadro geral: quando é alta temporada segundo a própria cidade

A Prefeitura de Florianópolis define a Operação Verão entre 15 de novembro de 2025 e 15 de maio de 2026. A projeção foi de 3 milhões de turistas para essa temporada, com 2,1 milhões de chegadas só entre dezembro e março. Esse é o quadro oficial.

Dentro dessa janela de seis meses, a demanda não se distribui de forma uniforme. Há semanas de ocupação quase total. E há meses do mesmo semestre que já se comportam como temporada média.

O artigo sobre o aluguel anual em Floripa já explicou por que o índice FipeZAP vem subindo. Parte dessa pressão vem do aluguel de temporada, que capta unidades que poderiam estar no mercado residencial. Esta matéria parte desse ponto e vai além: quanto sobe a diária de curta estadia mês a mês, e a partir de quando vale publicar a disponibilidade.

Réveillon: o pico dentro do pico

Dezembro concentra o momento de maior pressão do ano. No Réveillon 2025/2026, a Grande Florianópolis registrou ocupação hoteleira de 98% a 100% em boa parte da rede. O Natal já superava 90%. O Booking.com colocou Florianópolis como o segundo destino internacional mais buscado por viajantes estrangeiros no período de 20 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro de 2026, atrás apenas do Rio de Janeiro.

Esses números são de hotelaria, não de aluguel de curta estadia. Mas a lógica de preço se transfere: em um mercado com ocupação próxima do teto, quem define a diária define o teto, não a média. O guia da Elisa Investimentos sobre aluguel por temporada em Florianópolis descreve que as diárias de referência no pico "podem ser 2 a 3 vezes maiores" do que na baixa temporada. Não dá um número único, porque varia conforme o bairro e o tipo de imóvel.

Janeiro: o mês com mais noites vendidas do ano

Dados da AirDNA citados pela HostnJoy em abril de 2026 mostram que janeiro é o mês de maior ocupação de aluguel de curta estadia em Florianópolis. A ocupação chega a 67% das noites disponíveis, com diária média entre US$ 125 e US$ 128. Em agosto, a ocupação cai para 27%. A diferença de receita entre os dois meses gira em torno de 4 vezes. A ocupação mediana anual do mercado fica em 57%, segundo a mesma fonte.

Um levantamento distinto da AirDNA, com dados até junho de 2026 e citado pela Elisa Investimentos, mediu uma diária média de US$ 102 com 50% de ocupação para a cidade toda. É um número mais baixo porque corresponde a um ponto intermediário do ano, não ao pico de janeiro. Os dois levantamentos usam a mesma fonte em cortes temporais diferentes. A diferença entre eles já é, por si só, uma forma de medir a sazonalidade.

Carnaval: o segundo pico, com data que muda

O Carnaval não cai na mesma data todo ano porque depende da Páscoa. Em 2027 vai de 5 a 10 de fevereiro, com a terça-feira de Carnaval no dia 9. Para o proprietário, essa data móvel importa: define se o pico de fevereiro cai na primeira ou na segunda quinzena do mês.

Não há um número público de ocupação de aluguel de curta estadia para o Carnaval em Florianópolis, diferente do Réveillon. Mas ele corresponde à mesma faixa de visitantes de verão que forma o pico de janeiro. O padrão razoável é um repique de uma a duas semanas, de magnitude menor do que o de fim de ano.

Março e abril: a queda começa antes do que parece

A janela oficial de "temporada de verão" da Prefeitura vai até 15 de maio. Mas isso descreve um período administrativo, de reforço de serviços municipais, não o comportamento real da demanda de aluguel. A curva de ocupação disponível —67% em janeiro, 27% em agosto— é decrescente, não um degrau. Março e abril já operam abaixo do pico de janeiro-fevereiro, embora não haja um número público desagregado para esses dois meses especificamente. É o trecho em que vale baixar a diária de forma gradual, não de uma vez.

Inverno (maio a agosto): o vale, com repique parcial em julho

Agosto é, segundo os dados citados, o mês de menor ocupação do ano: 27%, contra 67% de janeiro. Dentro desse vale há uma exceção parcial: julho, quando coincide o recesso escolar de inverno. A rede estadual de Santa Catarina fixou esse recesso entre 23 de julho e 2 de agosto de 2026. Cada município e cada escola particular pode definir datas próprias.

Esse recesso não gera um pico comparável ao do verão. A praia não é o destino de inverno em Floripa. Mas movimenta um turismo de outro tipo: famílias catarinenses e do sul do Brasil que viajam na semana de recesso, e uma demanda mais urbana no Centro e na Trindade, que não depende da praia. Para o proprietário, julho é a janela dentro do inverno em que vale revisar a diária antes de deixá-la no piso pelo resto do semestre.

A diferença por bairro pesa tanto quanto o mês

A sazonalidade não atinge a ilha inteira do mesmo jeito. Segundo o levantamento da Elisa Investimentos com dados da AirDNA (junho de 2026), as diárias de referência por bairro são:

  • Jurerê: R$ 350 a R$ 700, com 50% de ocupação. Depende quase por completo da alta temporada.
  • Campeche: R$ 250 a R$ 400, 50% de ocupação.
  • Canasvieiras: R$ 200 a R$ 350, 55% de ocupação. Atrai famílias argentinas com estadias mais longas.
  • Ingleses: R$ 200 a R$ 300, 55% de ocupação. Combina turismo regional brasileiro e argentino.
  • Trindade: R$ 180 a R$ 320, com demanda mais estável o ano todo por causa da universidade e dos hospitais próximos.
  • Centro: R$ 150 a R$ 250, 60% de ocupação. Viajante a trabalho, menos sensível ao calendário turístico.

O padrão é consistente. Os bairros de praia, Jurerê e Campeche, concentram a maior parte da receita anual nos meses de pico e caem mais no inverno. Trindade e Centro, com demanda ligada à cidade e não à praia, mantêm ocupação mais equilibrada o ano todo, ainda que com diárias mais baixas no pico.

O que fazer com esse calendário se você é proprietário

  • Trave a diária de pico antes de outubro. Com o Réveillon em 98%–100% de ocupação hoteleira e Florianópolis como segundo destino internacional mais buscado de fim de ano, a demanda de dezembro é reservada com meses de antecedência.
  • Não trate janeiro e fevereiro como um bloco único. Janeiro, com 67% de ocupação, é mais forte do que um fevereiro médio. O Carnaval acrescenta um segundo pico curto, mas sua data muda a cada ano e precisa ser conferida no calendário oficial, não presumida fixa.
  • Julho não é alta temporada, mas também não é agosto. O recesso escolar do fim de julho é a única janela do inverno em que vale ajustar a diária para cima antes de voltar ao piso da baixa temporada.
  • A localização decide o peso da sazonalidade. Um apartamento em Jurerê ou Campeche vai sentir a queda do inverno com mais força do que uma unidade na Trindade ou no Centro, onde a demanda urbana amortece o vale.

Fontes

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