As notas anteriores do blog já cobriram onde o m² vale mais e quais bairros concentram mais procura de compra. Este texto olha para outra pergunta: qual zona rende melhor para quem aluga por temporada, medido em ocupação e diária, não em preço de venda.
O panorama da cidade: ocupação, diária e sazonalidade
Antes de descer para bairro, vale o dado de cidade. Segundo a AirDNA, atualizada em 5 de julho de 2026 com dados até junho, Florianópolis registra 36.407 anúncios ativos, 50% de ocupação e diária média de US$ 102, com a receita média por anúncio subindo 27,6% em doze meses. Outra plataforma, a AirROI/Airbtics (dados de 2025, citados pela HostnJoy em abril de 2026), coloca a ocupação mediana em 57% — a mais alta entre as seis cidades brasileiras cobertas por esse levantamento — com diária de R$ 342 a R$ 352 e receita anual de R$ 68.000 a R$ 71.000 por unidade. Os 10% melhores imóveis alcançam 80-84% de ocupação.
A diferença entre as duas cifras (50% vs. 57%) confirma o que qualquer gestor local já sabe: são plataformas comerciais, com metodologia própria, não um censo oficial. Servem como ordem de grandeza, não como número exato de uma unidade específica.
Para dimensionar a escala do mercado: segundo estudo da FGV encomendado pela Airbnb, a plataforma movimentou R$ 4,7 bilhões na economia de Florianópolis em 2024, com R$ 389,8 milhões em impostos diretos e 29.100 empregos sustentados — referência de tamanho de mercado, não de retorno por unidade.
A sazonalidade é o dado mais aplicável. Segundo a AirROI/Airbtics, janeiro — pico da temporada — tem em média 67% de ocupação e diária de US$ 125-128, gerando cerca de US$ 2.636-2.649 por mês. Agosto — vale do inverno — cai para 27% de ocupação, com faturamento mensal de apenas US$ 653-655: um quarto do pico de janeiro. Qualquer projeção de retorno que não reserve caixa para esses meses de baixa subestima o risco.
Que dado existe por bairro, e o que não existe
Aqui vale ser preciso. Não encontramos fonte que publique ocupação ou diária auditada, desagregada por bairro (Jurerê Internacional, Canasvieiras, Ingleses, Campeche), comparável ao número de cidade da AirDNA ou da AirROI. O que existe, e que usamos abaixo, são três tipos de sinal:
- Um ranking qualitativo de procura por zona, publicado pela Me2 Rentals (operadora de locação por temporada, 304 unidades geridas no fim de 2025), com base nas próprias reservas para o verão 2026.
- O perfil de hóspede por zona descrito por guias de mercado locais (Regente Imóveis, Elisa Investimentos).
- O preço de oferta por m² já levantado em notas anteriores do blog, como referência indireta do teto de diária que cada zona consegue sustentar — não uma medição de ocupação.
Nenhum dado desta seção vem de órgão oficial; trate como orientação de mercado, não como promessa de rendimento.
Jurerê Internacional: o teto de diária da ilha
No ranking da Me2 Rentals para o verão 2026, Jurerê Internacional ocupa o primeiro lugar em procura de temporada entre os cinco bairros levantados. A Regente Imóveis descreve seu público como o de maior poder aquisitivo da ilha, exigente com a apresentação da unidade. Os anúncios de portais (não o índice FipeZAP) pedem com frequência R$ 20.000 ou mais por m² em Jurerê Internacional, o valor de oferta mais alto do mercado — referência do teto de diária que a zona sustenta, não um dado de ocupação medida. A HostnJoy aponta que unidades compactas e bem montadas rendem mais em locação curta do que as grandes, ponto que a Me2 Rentals repete especificamente para Jurerê.
Canasvieiras: a procura estrangeira das praias do norte
Canasvieiras não aparece no top 5 da Me2 Rentals, mas a Regente Imóveis a aponta como preferida por turistas estrangeiros, sobretudo argentinos e uruguaios, com infraestrutura comercial e de lazer consolidada. A Elisa Investimentos agrupa Canasvieiras com Jurerê como as praias do norte "fortes para temporada". É uma procura mais sazonal do que a do Centro, concentrada no verão e nas férias de inverno do hemisfério sul (julho).
Ingleses: famílias e grupos, ticket de entrada mais baixo
Ingleses aparece em quarto lugar no ranking de procura da Me2 Rentals. A Regente Imóveis a descreve como um dos bairros mais movimentados do verão, com perfil de famílias e grupos e boa infraestrutura de comércio. Frente a Jurerê, o preço de oferta por m² em Ingleses é sensivelmente mais baixo (já levantado na nota de preços por bairro), o que reduz o ticket de entrada do investidor sem necessariamente reduzir na mesma proporção a procura de temporada.
Campeche: a zona que mais cresce em procura
Campeche ocupa o segundo lugar no ranking da Me2 Rentals, à frente de Centro e Ingleses. É, segundo essa mesma fonte, a zona com perfil de hóspede mais voltado a natureza, surfe e estilo de vida, e a que mais concentra lançamentos imobiliários novos no sul da ilha (dado já coberto na nota de bairros mais cotizados). O CEO da Me2 Rentals aponta que, junto com Centro e Jurerê, unidades tipo studio têm o melhor desempenho em locação curta no Campeche.
Centro e o corredor urbano: a procura que não depende do verão
O Centro ocupa o terceiro lugar no ranking de procura de temporada da Me2 Rentals, mas por razão distinta das praias: segundo essa fonte, capta principalmente estadias de trabalho e eventos, mais curtas e distribuídas ao longo do ano. A Elisa Investimentos concorda: agrupa Centro, Agronômica e Trindade como a zona onde a locação curta "funciona por estadias ligadas a trabalho, saúde, estudo, eventos e serviços" — a universidade (UFSC), hospitais e escritórios sustentam ocupação fora da temporada de praia. É o contraponto de Jurerê ou Canasvieiras: diária de pico mais baixa em janeiro, mas curva de procura mais estável no resto do ano.
Como usar este mapa
Três critérios antes de escolher zona. Primeiro: a ocupação e a diária de cidade (50-57%, US$ 102 ou R$ 342-352) são o ponto de partida, não o resultado de uma unidade concreta — a gestão, a idade do prédio e a qualidade das fotos pesam mais no número do que o bairro. Segundo: se o objetivo é maximizar a diária de pico, Jurerê marca o teto; se o objetivo é uma curva de procura mais estável nos doze meses, o corredor Centro-Agronômica-Trindade compensa uma diária de verão mais baixa com ocupação fora de temporada. Terceiro: nenhum dado desta nota substitui pedir ao gestor de temporada da zona o próprio histórico de ocupação da unidade específica antes de comprar.
Fontes
- AirDNA (via Elisa Investimentos, atualizada em 05/07/2026 com dados a junho de 2026) — 36.407 anúncios ativos, 50% de ocupação, diária média US$ 102, receita média +27,6% em 12 meses.
- AirROI / Airbtics 2025 (via HostnJoy, publicado em 08/04/2026) — 57% de ocupação mediana, diária R$ 342-352, receita anual R$ 68.000-71.000, sazonalidade janeiro (67% de ocupação) vs. agosto (27% de ocupação).
- Me2 Rentals, ranking de procura de temporada verão 2026 (via Deolhonaílha e ClicSC, nov-dez de 2025).
- Regente Imóveis — guia de investimento em aluguel de temporada em Florianópolis.
- Elisa Investimentos — "Airbnb em Florianópolis vale a pena?", publicado em 16/02/2026, atualizado em 24/07/2026.
- FGV / Airbnb — impacto econômico do Airbnb em Florianópolis, R$ 4,7 bilhões em 2024 (via ndmais, 12/11/2025).